Doenças de unhas

Clínica Carla Vidal / Doenças de unhas

Líquen

O líquen plano ungueal (LPU) é uma doença inflamatória capaz de provocar alterações na matriz (raiz da unha), no leito ungueal (região abaixo da unha) e na região periungueal (ao redor da unha).

Essas modificações podem levar a danos irreversíveis da unidade ungueal se não forem tratadas a tempo. Evidências sugerem que a doença seja autoimune.

O envolvimento da matriz ungueal é evidenciado pela diminuição da espessura da placa ungueal, estrias na superfície da unha e fenda distal. Esse problema evolui para a fragmentação da placa ungueal e fenda longitudinal. Outros sinais: lúnula (parte da unha que se localiza na base desse anexo cutâneo) avermelhada; manchas brancas; pontos na unha semelhante ao “dedal”, chamados pittings; unha rugosa e descolamento da unha na região próxima e abaixo da cutícula.

O acometimento do leito ungueal pode ser visto como descolamento, pontos hemorrágicos e alteração da cor: marrom (melanoníquia), vermelho (eritroniquia) e ceratose subungueal.

Tratamentos

Não tratar o LPU pode resultar na perda da placa ungueal, onicodistrofia permanente e até perda completa da unidade ungueal. Devido a evolução agressiva, o tratamento é obrigatório e deve ser feito o mais rápido possível após o diagnóstico. Os corticóides são considerados o tratamento padrão-ouro do LPU. A acitretina é uma opção que tem demonstrado bons resultados. Recentemente, o tacrolimus tem sido considerado uma terapia alternativa com excelentes resultados. Em 2010 foi introduzida a terapia biológica no tratamento do LPU.

Prevenção

Qualquer alteração física da unha, acometendo preferencialmente várias unhas da mão, com sinais inflamatórios e alteração de sensibilidade deve ser examinada pelo dermatologista. O LPU tende a recorrer após suspensão do tratamento pelo que o paciente deve continuar acompanhamento clinico apos remissão.

Micoses

Micoses são infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e os cabelos. São particularmente frequentes nos trópicos, onde existem condições ideais de calor e umidade, necessárias para o desenvolvimento dos fungos.

São exemplos de micoses superficiais a pitiríase vesicolor, as tineas, a candidíase e as onicomicoses.

Hábitos higiênicos são importantes na prevenção das micoses. Usar somente o próprio material ao ir à manicure. Secar-se sempre muito bem após o banho, principalmente nas dobras, como as axilas, as virilhas e os dedos dos pés. Evitar o contato prolongado com água e sabão. Evitar andar descalço em locais que sempre estão úmidos, como vestiários, saunas e lava-pés de piscinas. Não ficar com roupas molhadas por muito tempo. Não compartilhar toalhas, roupas, escovas de cabelo e bonés, pois esses objetos podem transmitir doenças. Não usar calçados fechados por longos períodos e optar pelos mais largos e ventilados.

Sintomas

  • Pitiríase versicolor: apresenta-se clinicamente como manchas brancas, descamativas, que podem estar agrupadas ou isoladas. Normalmente surgem na parte superior dos braços, tronco, pescoço e rosto. Ocasionalmente, podem se apresentar como manchas escuras ou avermelhadas, daí o nome versicolor.
  • Tineas (tinhas): manifestam-se como manchas vermelhas de superfície escamosa, crescem de dentro para fora, com bordas bem delimitadas, apresentando pequenas bolhas e crostas. O principal sintoma é coceira.
  • Candidíase: pode se manifestar de diversas formas, como placas esbranquiçadas na mucosa oral, comum em recém-nascidos (“sapinho”); lesões fissuradas no canto da boca (queilite angular) mais comum no idoso; placas vermelhas e fissuras localizadas nas dobras naturais (inframamária, axilar e inguinal), ou envolver a região genital feminina (vaginite) ou masculina (balanite), provocando coceira, manchas vermelhas e secreção vaginal esbranquiçada.
  • Onicomicoses: geralmente a unha se descola do leito e se torna mais espessa. Pode também haver mudança na coloração e na forma.

Tratamentos

  • Pitiríase versicolor: o tratamento pode ser feito com medicamentos antifúngicos tópicos ou orais.
  • Tineas: no tratamento das tineas podem ser utilizados antifúngicos locais ou orais.
  • Candidiase: no tratamento da candidíase, deve-se sempre considerar os fatores predisponentes, tentando corrigi-los. Antifúngicos tópicos e sistêmicos devem ser empregados sob orientação médica.
  • Onicomicose: o tratamento é difícil e muito prolongado. Pode feito com medicamentos locais ou orais.

Atenção: na suspeita de micose deve-se procurar auxílio médico. Os médicos dermatologistas possuem treinamento especializado e atualizado para diagnosticar e tratar as micoses.

Paroníquia

Paroníquia é o nome dado ao processo de inflamação da pele em torno da unha. Ela tem início devido à “perda” da cutícula, que pode ser causada pelo hábito de remoção por alicate ou por pequenos traumatismos, ou por agentes químicos.

Algumas profissões predispõem à paroníquia, em especial aquelas que têm muito contato com a água, como copeiras, lavadeiras etc. Nesses casos, é muito importante proteger as mãos ou evitar o contato com água e produtos químicos.

A partir da “perda” da cutícula ocorre a penetração de produtos irritantes ou até de microrganismos entre a unha e a pele (próxima da cutícula) o que gera uma inflamação, às vezes com pus e vermelhidão. Em alguns casos, pode provocar alteração da unha. Pode ser aguda ou crônica.

Na maioria das situações é necessário evitar o fator desencadeante, seja ele o contato com água ou com agentes químicos.

Tratamentos

O profissional indicado para tratar do problema é o médico dermatologista. Após o diagnóstico, ele poderá receitar um antibiótico, um antifúngico ou um corticóide tópico, dependendo da causa. Em algumas situações, pode ser necessária uma drenagem para aliviar a dor e, em casos crônicos, em que o tratamento com tópicos não funcionou, pode ser necessária uma cirurgia, que costuma apresentar um resultado muito positivo.